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Jorginho Pires
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O ALMOÇO ESTÁ PRONTO

    No dia dedicado às mães, aquelas os quais os filhos são mais abastados financeiramente vão, com toda a família a restaurantes; tomam alguns drinks, almoçam, as crianças fazem um programa diferente e friamente se despedem e pronto - esta comemorado o dia das Mães.  Mas há aquelas que são a grande maioria: ao invés de um dia de descanso, têm pela frente trabalho em dobro e como sempre não reclamam e há alguns dias vem caprichosamente fazendo o arroz-doce que um tanto aprecia, o doce de leite de colher ou o cortadinho para aquele outro, o canudinho, o cajuzinho para alguns e o pé de moleque e o pudim para outros mais.  E assim os filhos, as filhas, genros, noras, netos e bisnetos vão aos poucos chegando, muitos abraços e uma animada conversa se inicia.  Todos entusiasmados falam e ouvem ao mesmo tempo como um bando de maritacas ao alvorecer, as horas, parecem ser poucas para tantas novidades.  Enquanto isto, no dia dedicado as Mães lá estão elas bem cedinho, sozinhas ao lado do fogão preparando aquela comidinha gostosa que só as Mães sabem fazer.  Animados, alguns estão nos quartos trocando confidencias, outros na sala, na varanda, no terreiro e entre uma conversa e outra ela de longe ouve o neto chamar o pai de bicho, de cara, coroa e absorvida pelo trabalho quase não vê o neto que acaba de chegar e secamente lhe diz: Oi vó quando deveria lhe dar um abraço, lhe beijar as mãos e tomar a benção, mas ela em seus pensamentos o desculpa; ele ainda é pequeno e inocente, depois ele aprende.  A sua labuta continua e sem querer ouve ainda um de seus filhos lamentando, que o filho, já rapazinho, quando ao sair, simplesmente lhe diz: tchau sem dizer aonde vai ou com quem vai; e este como que agradecido a criação que teve relembra que no seu tempo de rapaz tinha que chegar em casa às 22:00 horas e hoje, os filhos saem após a meia noite.  Um tanto decepcionado com os novos métodos de criação conta que cumprimentar os mais velhos, ceder lugar, ser gentil, ser cavalheiro agora é coisa de careta. E assim a conversa se estende e a velha Mãe (a Vovó, a Mãe duas vezes) lá no fogão entre o cheiro de gordura e fumaça sente o coração apertado, os olhos marejados, as lágrimas insistindo em cair, enquanto as recordações fazem uma festa em sua mente.  O pensamento com a rapidez de um beija-flor voa ao passado buscando se agarrar nas lembranças... Doces lembranças de um passado longínquo que não volta mais.  Há quanta saudade.  Os filhos que ela criou com tanta dificuldade, mas com todo carinho, com todo amor não lhe pertencem mais, são hoje propriedades do mundo, este mundo que chamam de moderno e como se não bastasse um pensamento malvado lhe crava um punhal no peito fazendo jorrar a dor da saudade, trazendo a sua mente a imagem que nunca se apagou, de sua Mãe que Deus já levou, que a muito se foi, para nunca mais voltar.  Ela rapidamente enxuga as lágrimas e com a força interior que Deus abençoou somente as Mães, com um sorriso nos lábios vai até a sala e feliz da vida anuncia: O almoço está pronto!   Foi neste momento que se deram conta de que ela estava esquecida na cozinha, a solitária cozinheira finalmente é lembrada, a fome fala mais forte e ela é aclamada como a rainha do lar com um: Viva a Mamãe, viva a Mamãe, o almoço está pronto!  Ao final da tarde, na hora dos filhos irem embora alguém grita: Mãe aquela empadinha está uma delícia, a senhora arruma algumas para eu levar?  E lá vem ela correndo com um embrulhinho para cada um com seus docinhos e salgadinhos preferidos.  Beijos e abraços demorados, a benção Mãe, fique com Deus, tchau vó e ela fica à porta da casa com o olhar fixo no horizonte, o coração nas mãos, acenando, dando adeus e já aguardando que no ano que vem todos voltem para que possam lhe dizer: Feliz dia das Mães e para a felicidade de todos, possam ouvi-la radiante anunciar:  O almoço está pronto!                                                   Jorge Pires Filho – 09/05/2006

MARIA FUMAÇA

Às vezes a recordação de surpresa se apodera de meus pensamentos e me arrasta de encontro ao passado, levando-me a rever cenas que envolvem: mistério, aventuras e emoções que julgava houvesse perdidas no arquivo da memória.
De quando em vez, me surpreendo assim de olhos fechados a meditar... Sinto então um cheiro diferente... Parece-me um cheiro de fumaça aliado a um barulho que vem vindo... vem vindo até se apoderar completamente de todo o meu ser.
Retrocedendo, rompendo as barreiras do progresso e do tempo, as cortinas da memória se abrem e eis que festeira, radiante, vencendo os obstáculos surge diante de meus incrédulos olhos, o fumegante cavalo de ferro: A MARIA FUMAÇA.

Ainda ontem me recordava
da MARIA FUMAÇA que por aqui passava.
Fecho os olhos e posso vê-la passar
posso ouvir o seu piuí... piuí...
posso este apito escutar
e ver a cortina de fumaça a ficar.
Eu era ainda bem menino
mas me lembro, ela trazia um sino
que passava batendo: blem... blem... blem...
Era como se me dissesse:
Vem me ver moleque, vem... vem... vem...
Ah! aquela MARIA FUMAÇA
com seu som diferente
alegrava tanta gente
quem partia, quem ficava
com sua marcha lenta
parecia me dizer sonolenta:
Café com pão... café com pão...manteiga não.
Quando pegava uma subida
parecia enlouquecida
seu fogo era tão vasto
que se alastrava ao vizinho pasto.
E para apagar o incêndio
era um Deus nos acuda
só mesmo com muita ajuda.
Pobre MARIA FUMAÇA.
agora está encostada
dizem que não serve pra nada.
Foi preterida
pela corrida
pelo progresso
A Maquina Diesel é que faz sucesso
que passa ligeira
fazendo carreira
e tão rápido passa
que se torna sem graça
e não deixa fumaça.
Eu sinto uma grande tristeza
pois, a MARIA FUMAÇA com sua lerdeza
tinha sempre, algo mais a transmitir:
Alguma coisa...
que com a Diessel, não posso sentir.
Bem sei não sou mais menino
mas se os olhos fechar
o piuí... piuí.. posso escutar
e sentir o cheiro de fumaça no ar.
Posso ouvir o repique do sino
a me chamar.
Agora sei que aquela fumaça
não foi só poluição
ou mera ilusão
pois deixou marcas profundas em meu coração.
O piuí... piuí..
continua sendo um alerta pra seguir
café com pão... café com pão... manteiga não
nos trilhos da ilusão
segue também meu coração.
Quem me dera
que eu fosse como a MARIA FUMAÇA
que deixasse marcas, mas que não seja preterido
e como ela esquecido
e ainda mais, oxalá pudesse te transmitir
aquele algo mais, que você deseja sentir. 

 
Jorge Pires Filho- 30/11/91

SAMBARILOVE  I

Esticando a mão
com se ar de inocente
pedindo ajuda para um pão
assim ele transita, cheio de aguardente.
Dizem que veio da Mascarenhas
lá do Córrego das Pedras ou Vila Santa Rosa.
Vive se fazendo de malabarista
todo prosa
cheio de manhas
querendo se passar por artista.
Quem o vê e o ouve, dizendo saber falar inglês
fica a pensar o que houve o que se fez
este tolo, que não sabe nem o português.
Muitos são os que o criticam
outros o julgam um demente
pois não sabem que ele é apenas mais um doente.
Com sua cana brava
de cabeça feita
seu triste futuro cava.
Nos passeios se deita
Sonha...cambaleante viaja por caminhos que não sebe onde vão dar
aliás ... nem se lembra mais; se está a ir ou a voltar.
Se alguém o xinga,
ele não dá importância
tem em seu alcoolismo
seu maior malabarismo
que o arrasta para o abismo.
Em sua ingênua ignorância
feliz se move
insofrido, toma mais uma pinga
e vai dizendo:
SAMBARILOVE.

                                                               
Jorge Pires Filho - 17/07/1992

JÁ ESTÁ BEM LONGE

   Já está bem longe o tempo em que ao surgir o manto da noite, ao brilharem as primeiras estrelas as pessoas sentavam-se nas varandas, nos degraus das escadas, os mais idosos em suas cadeiras de balanço atentos ao rádio, ao som de “O Guarani” de Carlos Gomes, sintonizavam a “Voz do Brasil”, o que seria hoje o Jornal Nacional.
Do Rádio com a potência das imensas válvulas ou das modernas pilhas, com ansiedade era aguardado o “Repórter Esso”.
   Já faz tempo que as noites eram destinadas ao lazer, algumas poucas casas iluminadas pela luz elétrica, outras pelo luar ou lampiões e lamparinas clareando as visitas sociais, levando-as a um bom papo com amigos ou compadres.
  Noites inesquecíveis regadas a um saboroso café acompanhado de apetitosos quitutes que as comadres caprichosamente preparavam.
  Guloseimas sempre com gosto de quero mais.
   Entre uma conversa e outra se trocavam dicas de crochê, tricô, finos bordados desfilavam e, claro muitos segredinhos culinários eram desvendados.
   As crianças no terreiro, ou na rua alvoroçadas, como um bando de maritacas, brincavam de pique, passar anel, chicotinho queimado, cabra cega, pulavam amarelinha e as mais corajosas junto ao fogão de lenha, contavam casos de assombração.
   Durante esses encontros sorrateiramente os jovens arriscavam as primeiras olhadelas, que eram o início de muitos namoricos sob o olhar cúmplice e aprovador dos pais, pois nesse tempo conheciam-se os pretendentes.
   Entre cochichos e olhares comprometedores as atenções se voltavam ao “Beira da Tuia” um programa de rádio com a inebriante música de Tunico e Tinoco acompanhados pelas Irmãs Galvão, Duo Ciriema e muitas outras celebridades do mundo musical que arrancavam suspiros até dos mais embrutecidos corações; naquela época ouvia-se música, não é como hoje, que se curte um som.
   Muito tempo faz que os pares se enfeitavam, se perfumavam, muita graxa foi consumida nas botinas refletindo como espelhos, muita brilhantina foi gasta para emplastar os rebeldes cabelos e ir aos bailes onde as músicas das grandes orquestras tocavam os sentimentos e embalavam os romances.
   Os vestidos rigorosamente de chita e podia-se ver um arco-íris formado por laços e mais laços de reluzentes fitas; coisas chique vindas diretamente da capital: Belzonte.
  Raramente consegui-se uma permissão para ir ao cinema, isto dependia do acompanhante ou da película a ser exibida.  Antes,as donzelas eram  recatadas, trajando vestidos longos, mal se viam os tornozelos, decotes com pudor.  Hoje, saias curtas, seios de silicone atiçando a brasa do desejo sem medo da labareda.
   È. é a tal emancipação feminina.
   É... como as coisas, as pessoas mudaram. Já não há mais tempo para visitas, não mais provamos o sabor dos quitutes, quindins, cuscuz, biscoitos de polvilho, carne de panela, broa, bolo e pão de queijo; preciosidades feitas com muito carinho e muito amor no forno de barro.
   A suavidade da bela música ficou esquecida, o romantismo a muito se foi, a gentileza, o galanteio, o cavalheirismo são coisas do passado, os olhares são atrevidos e maliciosos, os tempos são outros.
   O jovem não se preocupa em conhecer o seu par, o chique, agora, é ficar.
   Não se admira o céu, não se faz juras de amor a luz da lua, não existem varandas, só deparamos com grades de frio aço, a cadeira de balanço quebrou, o velho rádio se calou, a vitrola foi trocada pela televisão, pelo computador, a paz cedeu lugar ao desassossego, à depressão.
   Noiva de maio, época de plantio, de colheita, chuva em tempo certo, nem se fala mais.
   Coisa rara são famílias assistindo unidas à missa na Matriz, os filhos não obedecem mais, pois cada um se julga dono do seu nariz.
   Já não distinguimos o que é certo ou o que é errado.  Não sabemos quem é homem ou quem é mulher.  A tão falada tecnologia, o modernismo trouxe em seu bojo uma ampla dose de mudanças, incertezas e insegurança.
   Os bons costumes, a educação se esvaíram com o tempo.  Tornamos-nos apressados, estafados, neuróticos, prisioneiros do tal modernismo.
  Já está bem longe o tempo em que vivíamos a vida, hoje, simplesmente passamos pela vida.   

Jorge Pires Filho -  01/03/2002

UM BURRO CHAMADO PIANO

   Todos nós conhecemos um Burro. Animal hibrido de jumento com égua ou de cavalo com mula ou ainda aquele individuo que às vezes queremos insultar.
  Este insulto pejorativo não faz justiça ao animal, pois pelo que sei, se soltarmos um burro no pasto ele vai andar o dia inteiro, mas, à tarde retornará a casa o que prova que não é burro, pois tem boa memória.
   Difere do sábio homem que se embebeda e na maioria das vezes tem dificuldades para retornar, se perde por ruas que passa todos os dias, o caminho da própria casa.
   Diríamos ainda mais, o burro por ser inteligente bebe água, não bebe cachaça e o homem por ser um burro se afoga, se destrói em pequenas doses de aguardente.
   Um burro dificilmente cai em buraco, é esperto e ativo, o cavalo do homem vira e mexe enche um.
  Mas o burro que quero lhes falar não é um burro sem inteligência e muito menos um burro tido como inteligente, vou me referir a um animal que durante anos trabalhou e tornou-se conhecido pelas crianças e adultos, pessoas que passaram a admirá-lo e já passados digamos uns 50 anos dele se lembram com saudade, ou do leite que ele fazia chegar até as suas canecas ou mamadeiras, não é vovô, ou vovó?
   Tenho certeza de muito marmanjo se lembra daquelas mamadeiras de garrafa de refrigerante com aquele bicão vermelho que sugavam sofregamente às escondidas.
     Quem morou ou mora no Bairro da Estação, ou no antigo Curro deve lembrar-se do PIANO o burro que transportava o leite produzido na Fazenda Figueiras na época que esta pertencia a Jorge Pires.
 Quem morou no Curo e não torceu pelo Comercial ou não tomou leite de PIANO não morou no Curo, apenas passou por lá. 
   O Burro treinado pelo leiteiro trazia em seu lombo duas latas de leite de 50 litros que tinham uma torneira de lado por onde escoava o leite. E para facilitar a saída do leite o animal colocava as patas dianteiras sobre o passeio impedindo a passagem das pessoas o burro certamente sentia-se o dono da rua e quem se opusesse, que cruzasse em seu caminho estava fadado a tomar uma latada pelas costas. ( Ele era o dono da rua)
   O burro parava de casa em casa sozinho sem que o leiteiro ordenasse, se ali era costume entregar um litro de leite assim que se fechava a torneira ele seguia em frente, se era o costume entregar dois litros o animal permanecia quieto até que se tirasse o segundo litro e a seguir continuava o seu caminho.
    Aparentemente não há uma explicação para tal fato, seria inteligência, condicionamento, costume ou levado pelo barulho do leite caindo no litro medidor, o certo é que o burro sabia a quantidade de leite que cada freguês comprava. E acreditem não estou mentindo sozinho existem nova-erenses (Cinquentões) espalhados por todo este nosso imenso Brasil que são filhos de leite do PIANO, que podem confirmar esta verdade, pois dela não esqueceram.
     Não é que de vez em quando o filho de uma égua tirava um dia de folga. 
    Ele fugia do pasto e era sempre encontrado no mesmo lugar ali no antigo leito da ferrovia Central do Brasil entre a subida para o colégio, onde havia uma biquinha e a mangueira onde até hoje existe um capim sempre viçoso e fartura de água.
    Por muitas vezes também ele resolvia saltar, dar uns pinotes, até jogar as latas de leite no chão (o danadinho era genioso e mal educado) este seu mau costume aconteceu tanto que meu pai passou a observá-lo e ao vê-lo irritado pela manhã ia logo dizendo: Hi... hoje tem, deixe o Piano pra lá, pois, hoje ele está tomado (está com o capeta), neste dia ele não trabalhava era perda de tempo mexer com ele. 
   Também muito pouco foi montado, todos que tentaram acabaram no chão.
     O seu perfeito entrosamento era mesmo com o leiteiro, sua inteligência animal talvez lhe dissesse que seu trabalho era levar o leite e ponto final não aceitava fazer mais nada. 
  Há ainda outro fato curioso: o leiteiro um Senhor de nome Lucas Evangelista, um homem super educado e honesto, um homem boníssimo, uma pessoa maravilhosa, conhecido como Luquinha jamais foi a uma escola, não sabia ler nem o ó, mas, ao chegar o final do mês quando minha mãe (Berenice) lhe entregava as notinhas de débito de cada freguês com seus respectivos nomes e valores, este as olhava, folheava e repetia lentamente (com a minha mãe) seus nomes e valores passando uma a uma e perguntava: Conto é este? Depois balançava a cabeça em sinal de positivo e como um teste ela o pedia: dê-me a nota de fulano de tal e diga qual o valor do seu débito.
Ele ria e dizia pode deixar e manuseava as notas retirando a que lhe foi pedida e dizendo a quantidade de litros e o valor sem errar uma única vez. Era uma coisa fantástica.
  Naquele tempo ignorávamos que existisse memória fotográfica pessoas que tivessem a capacidade de memorizar com tamanho índice de acerto e julgávamos impossível um analfabeto conseguir tal proeza.
   Quando Jorge Pires (meu pai) vendeu a Fazenda Figueiras solicitou que o Burro Piano jamais fosse vendido ou tirado da Fazenda seria como lhe desse uma aposentadoria ou um premio a um amigo inteligente, genioso e mal educado.
   Infelizmente anos mais tarde vim, a saber, que PIANO havia sido vendido que estava longe carregando lenha e como não gostava deste serviço escoiceava, saltava até jogar a carga fora. 
   Em uma destas suas artes acabou caindo sobre um toco e furou um dos olhos, algum tempo depois, lamentavelmente soube que ele avia morrido levando consigo a saudade de todos nós e dele nós ingratos nem ao menos temos uma foto para recordar.

Só restou a história a saudade e o gosto na boca dos filhos de leite do PIANO.

 

 

Não sei se estou com saudade do PIANO ou com vontade de tomar leite.

Jorge Pires Filho – (Jorginho) 16/06/2008

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